Era o que o agente de Maria
Callas lhe chamava.
Aquela mulher furacão , sempre empunhando umas
mãos perfeitamente tratadas, com uma unhas pintadas de vermelho que mais se assemelhavam a garras. Dizem, que quando louca de raiva, abria aqueles imensos olhos negros sempre impecavelmente delineados, cerrava os dentes brancos e levantava estas mesmas
mãos. Era uma ave de rapina ou, talvez, uma
Hárpia grega, e
vociferava em Grego sabe-se lá o quê! A verdade é que
ninguém ousava afrontar a
Callas demoníaca , aquela cuja voz foi marcada como a primeira Tenor feminina, de t
ao potente que era o seu canto, que
só pode ser equiparada á voz de um homem. Esta era quem conheciam pelas capas de revista , pelos concertos de onde vinham com os olhos marejados de água, esta não era o pequeno Rouxinol.
O Pequeno Rouxinol era aquela menina de origem grega que nascera em Nova Iorque, filha de pais gregos. Gordinha, longos cabelos negros e com olhos da mesma cor. Esta menina
conseguiu ser feliz em tempos , refugiando-se na sua bela voz e no mundo que ela lhe abria perante os olhos, um mundo ao qual ela
não via o fim. Ate um dia. Um dia em que o Pequeno Rouxinol se tornou A Diva. E porque?
Onassis: um magnata Grego (feio que nem cornos) que se encantou pelo ideal de ter uma
Callas. Ele simplesmente se limitou a produzi-la , a transforma-la naquilo que a
Callas podia ser e
só ele conseguia ver. Emagreceu-a, vestiu-lhe os melhores fatos dos melhores costureiros franceses , levou-a a conhecer o mundo que ela ambicionava. Qual foi o
única coisa que o
Onassis nunca lhe
conseguiu dar? Amor.
Foi paixão, foi calor, foi uma ideal numa forma de gente, foi
alguem que ele quis do seu lado pois dava-lhe
status, ficavam bem. Mas nunca ponderou ama-la.
Moraram juntos no seu palacete em
Mykonos, palacete que fora da sua primeira mulher e
mãe dos seus filhos, uma mulher que
também nunca recebeu dele o conforto
físico necessário e
indispensável a qualquer mulher. Viajaram pelas ilhas gregas no seu monstruoso iate e durante uns bons anos foram o casal perfeito! A
Callas, em poucas palavras, moía-lhe o
juízo ate mais
não! A
Harpia não poucas vezes surgia no meio da relação e o senhor
Onassis nunca foi famoso pelo seu temperamento comedido. As
separações foram mais que muitas , mas sempre voltaram, ele correu
atrás tantas e tantas vezes, chamava por ela debaixo da sua varanda em Paris, com um ramo de rosas nos seus braços, e ela sempre cedendo. Simplesmente
não lhe conseguia resistir.
Um dia , o
Onassis desistiu. Começou a perder o interesse, ela tornou-se chata, passou de bestial a besta. Não queria ouvi-la cantar de
tão incomodativa que era a sua voz para ele. Voz que a
Callas perdeu e nunca mais recuperou. No ultimo concerto que deu, era um
murmúrio aquilo que se ouvia , em nada comparando ao tenor de saias que antes arrancava aplausos a uma plateia de pé. Depois da voz, perdeu-o a ele.......descartou-a, fartou-se , tinha achado
alguém que seria mais interessante naquele momento:
Jackie Kennedy. Mas a importante não é ela...é a
Callas.
Acabou refugiando-se com a sua "ama" no seu apartamento em Paris, começou a definhar. Perdeu a voz , o rosto encovou, os olhos gigantes tornaram-se pequenos pontos negros e o corpo
seguiu o mesmo caminho. Cerca de um ano depois de
Onassis se ter casado com a
former Kennedy, Maria
Callas morreu. De que? Uma paragem
cardíaca ate hoje mal parada. Mas
não minha
opinião, Maria morreu de Amor. Amor a mais que sentia por aquele homem que nunca valorizou a Maria pois
só a
Callas para ele era importante. Morreu de amor e de saudade. Como que sendo a ultima das
heroínas de um romance
Inglês do
século XIX , Maria
Callas, o Pequeno Rouxinol, morreu sem voz e sem
coração.
"
Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele".
Vítor Hugo
Frau Carmo