segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Exclusividade Animal

O mundo animal sempre me interessou. Nem sei bem porquê, talvez por tantas vezes os seus comportamentos se assemelharem aos nossos ,ou até mesmo ,porque podemos ver nestes seres tantas vezes subestimados, um exemplo de coragem, rectidão, fidelidade.




A Primavera aproxima-se! As arvores enchem-se de flores, chega uma brisa adoravelmente morna e claro, toda a gente fala dos passarinhos amorosos que começam a procurar uma parceira, igualmente amorosa, com quem irão assegurar a descendencia da especie. E aqui me pergunto: por que criterios se regem tais seres alados na hora da escolha? Uma coisa todos nos sabemos: Girls Choice! De burras as passarinhas ( uso o termo sem segundas intençoes) nao têm nada! O macho a quem darão a honra de partilhar o seu leito e minhocas tem que aparentar saúde, força, masculinidade passaral e ser uma estampa, porque passara nenhuma quer andar com um pardal marreco ou sem uma asa! Há ainda uma especie de ave que tem outro criterio que acho simplesmente essencial, quer hajam asas a mistura ou não: A fidelidade. Refiro-me ás Araras.




São psitacídeos de porte variado com origem na América do Sul e Central e de regiões tropicais, conhecidas pela grande diversidade de cores que variam de espécie para espécie e por sua vocalização complexa, atraindo muitas pessoas que as desejam ter como animais de estimação.
Possuem um bico poderoso que as ajudam a quebrar as mais duras frutas e sementes, e com suas hábeis patas e garras conseguem se locomover com facilidade em qualquer tipo de galho. Elas podem ultrapassar a idade de 70 anos na natureza, normalmente são encontradas em bandos, mas são aves monogâmicas e um único macho convive com uma mesma fêmea por toda a vida, elas podem ser bem ciumentas com relação ao seu parceiro ou parceira.










Fantástico não é? Um ser que nasce de um ovo, que depende do facto de a sua mãe se sentar em cima dele e que precisa de ser alimento a cada 20 minutos , ou menos, vive até aos 70 anos e sempre com a sua "miúda". 70 anos com a mesma fêmea, sem se fartar dela, sem deixar de a achar a passara mais linda do bando todo, a passara com quem quer criar os seus passarinhos.


Expliquem-me então, porque raio é que o auto intitulado "animal dominante" , o ser Humano, encontra tanta dificuldade em manter-se fiel?! Quer eles quer elas, parecem nunca encontrar uma justificação para a sua falta de fidelidade, para não terem nascido com este "gene Arara".




Procuram aventura, emoção, um corpo diferente daquele com o qual dormem á X tempo e que já nao podem ver á frente, o factor risco, um rol de desculpas que não lembra a ninguem e, que a mim, nunca parecem justificação para nada mais do que de cobardia, falta de verticalismo. Argumentam tentações, falta de atenção, desinteresse da outra parte ou até mesmo, perda de magia. Dizem que já nada soa ao mesmo ou que eles já não são os mesmos. Sabem de quem é a culpa? Do parvalhão que inventou o principe Encantado e a Fada do Lar: deixou-nos criar expectativas de um homem que não engorda, não fica careca, não ressona e para sempre nos irá achar a ultima maçã da cesta! Já a eles, criou uma mulher linda com proporções de desenho animado, sorridente, cheirosa, depilada e que nasceu programada com todo o software necessario para cuidar de um homem, de uma casa e de uma penca de filhos. A culpa é sua Mr. Disney, por nunca nos ter dito: "maltinha acordem! a Cinderela virou abobora e o Monstro.....ficou monstro depois de um Rx mal feito".




Culpam as hormonas, o desejo, a tentação que lhes é apresentada em frente ao nariz , quase que pedindo para levar uma trinca. A unica coisa que nao assumem, nem eles nem elas, é que simplesmente preferiram voltar atrás com a palavra dada. Cansaram, e com o cansaço veio o "estou-me marimbando, já não tem nada para dar!" .
Acreditam realmente que ate o Sr. Arara nunca quis dar uma valente bicada no pescoço da Sra. Arara, porque o raio da passara nao para de pedir minhocas para os miúdos!? Ou subestimam assim tanto a inteligencia de um animal ao ponto de pensarem que é o patrimonio e nada mais que o patrimonio genetico aquilo que os atrai a uma vida conjugal?
No texto que tirei do site vem referenciado o facto de trem ciumes. Ciúmes! Um pássaro com ciúmes! Não acham que ha ali bem mais do que instinto animal? Eu sinto ciúmes e não é porque o meu impluso darwiniano me faz senti-los: é porque é o meu passaro, o meu Sr. Arara e não quero que mais nenhuma passaroca ponha em causa o meu ninho.....




Gostava mesmo de saber o que se passa nas pequenas cabeças deste animal, o que sentem, o porque de escolherem um parceiro para toda a vida e manterem-se a ele fiel. Gostava de saber porquê que lhe é mais fácil ser monogâmicos do que aos humanos, que se intitulam os unicos portadores de inteligencia emocional. Afinal, quem é o animal aqui: nós ou eles?






quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Início

4 de Novembro de 2009.
Era já de noite, passava da hora de jantar e eu andava perdida pela net, tenatndo achar algo de cativante que me fizesse manter o computador ligado. Estava no mais que famoso Facebook (Agora ja tem um filme e lai lai), quando vejo que alguem aceitou recentemente o meu convite feito ha ja mais de um mes. Sem mais demoras fui ver de quem se trataria, quando para meu espanto vejo que era Ele. Nao pude deixar de pensar que havia qualquer coisa que parecia obrigar-nos a manter um contacto, uma linha que me desse noticias dele, que lhe desse noticias minhas.

Pouco depois de me ver na sua lista de amigos, recebo uma mensgem. Do mais neutra possivel mas que de neutra nada tinha, uma mensagem que chegou ao fim de 3 anos, com o mesmo ah vontade com a primeira tinha chegado 3 anos antes. Parecia nao haver qualquer "constrangimento" em falar comigo, em tentar fazer com que eu falasse com ele.

A conversa fluiu normalmente, pelo menos com o tom mais normal que nos é possivel, e ainda assim....eu nao sabia porque que estavamos a falar. Eu nao estava bem, nao estava numa boa fase, nao queria conversas com ninguem, ainda menos com Ele, e ainda assim, parecia nao conseguir deixar de responder áquelas mensagens. Queria noticas dele, queria saber dele, mas nao queria que ele soubesse de mim, que ele tivesse uma ,linha de ligaçao a mim. Linha essa que tao bruscamente cortei, tal como prometi que faria.

Foram precisos dois dias de mensagens para permitir um primitivo e quase ridiculo msn.......e muito mais se viria a permitir....

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Desassossego

Nao sei sobre o que escrever. Sei que preciso de falar para esta pagina mas nao sei decididamente sobre o que escrever. E esta frase resume em parte o que me tem acontecido desde há nao sei quanto tempo: vivo nao sei porque, indo nao sei para a fazer para fazer nao sei o que.

Deixei de viver de ha uns tempos para ca. Ela , a Vida, tem-me vido de uma maneira soberba, quase absorvendo as 24 horas do meu dia-a-dia, deixando-me uns momentinhos mesquinhos para pensar em algo que nao as obrigaçoes e os horarios. Horarios que de certa maneira me movem, me dao alguma estamina, pois viver á espera do nada nunca funcionou para mim.

Sinto-me num gigantesco bloquieo criativo, onde o objecto publicitario seria a minha vida, mas esta revelou ter muito pouco que contar, e ainda menos quem venho correborar o meu testemunho. Tenho saudades de certas pessoas e ao mesmo tempo a vontade de me voltar a ligar a elas ,da mesma forma, parece ser inexistente. Ha coisas que uma vez que pegamos nelas e as mexemos, quando tentamos colocar no sitio parece que ja nao encaixa da mesma maneira, por muito que procuremos aquela infima sombra deixada pelo pó que se acumulou em cima da mesa. Simplesmente, ja nao encaixa.

Outras vezes, mesmo quando pensamos que tudo é o mesmo e que o tempo e a diferença de horarios nada mudou, vemos que a mudança foi bem mais acentuada do que pensámos. O tema de conversa que antes fluia duma forma quase impossivel de escoamento, agora torna-se inexistente ou repetitivo, quando duas vidas deixam de ser tao comuns e se tornam dois patamares bem distintos....


E depois ha a dependencia. Tornei-me dependente de algo a que jurei a mim mesma, que nao o iria fazer. Sempre me quis manter o mais lucida possivel, ver que antes do todo existem as partes que sao distintas entre si. O problema é que parece que enquanto me preocupava em pensar noutros 500 acabei por ficar dependente. Isto atormentame e ate que me revolta pois se ha coisa de que nao preciso é de estar dependente de ninguem, de nao ter que precisar de ninguem para estar bem, aliviada do resto que se vai passando á minha volta, mas a verdade é que foi nisso mesm o que me tornei: dependente.
E sei o que vem com a dependencia: veem os medos, as inseguranças, as minhas perguntas, os meus flash forwords. Sei de quem preciso para estar bem, e esta parte é decididamente parte de mim....mas estar dependente nunca foi parte dos meus planos.


Ja nao sei quem é o meu cineasta favorito, a minha banda ou musica, o que quero ser "quando for grande" , a minha viagem de sonho ou o carro favorito. tudo isto nao passa, para mim, de uma imensa amálgama de massa cinzenta disforme e sem inicio ou fim. Se me perguntarem se gosto de Marilyn Manson sei acertivamente dizer que nao, mas entao...e quem gosto mais de ouvir? Qual o filme da minha vida? Onde me imagino daqui a 10 anos?

Nao sei. Posso responder seguramente a esta pergunta dizendo que nao sei....


Frau Carmo

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sevilha

Foi há duas semanas que parti nesta aventura que seria ir para um pais diferente, uma cidade diferente com alguem ja tão meu conhecido (H).



Numa mensagem recebida , ja passava das 21h, dei por mim a ir de ferias logo na altura em que ja me tinha mentalizado de que estas estariam chegando ao seu términus.

"Vamos a sevilha! Ta decidido! Alinhas?"


Depois de "ponderar" durante 5 segundos disse que sim, que com ele alinho em tudo so me restava a autorizaçao da nave mãe.

Autorizaçao dada, mala nova comprada e saímos de lisboa estávamos perto das 11h da manha. Em menos de nada estávamos cada vez mais perto da ambicionada cidade nova, que pelo que viamos dos panfletos e brochuras, prometia ter muito para dar!


Planeámos o hotel, o roteiro , as estradas e como seria organizada a estadia por Sevilha. Confesso que fiquei muito muito bem impressionada! Cidade limpa, nao vi um papelito no chão, muito luminosa e bem cuidada, com uma arquitectura respeitadora do seu patrimonio e muito orgulhosa no mesmo, mas confesso, os tórridos 42º que se faziam sentir em pleno pico do dia tornaram a estadia um pouco mais cansativa do que seria de esperar, mas nada que nos fizesse ficar dependentes de sombras e abanicos! (comprei um....)


A recepçao dada pelo hotel nao podia ter sido mais gentil e mesmo cómica, visto o recepcionista ter feito um esforço por falar o melhor portenhol que conhecia, tal como nos.A localização era optima pois estávamos perto de tudo e , acima de tudo, perto da baixa da cidade. O quarto era limpo, simples e muito confortavel. Cama grande e com uns colchoes do capeta onde nos enterrávamos quase como se fosse uma nuvem! Por muito confortavel que isto soe, a nossa geografia corporal nao achou muita piada.......um pormenor: nao sei o que faziam tantos espelhos num so quarto de hotel... -.-


Primeiro dia: uma ida obrigatoria á Isla Mágica! Durante todo o percurso nos perguntámos porque que nao faziam algo do genero nos arredores de lisboa visto ser um sitio muito muito agradavel para passar um dia com a familia ou os amigos, com optimas condiçoes e atracçoes turisticas para todos os coraçoes. Um dia muito bem passado mas que ao fim de algum tempo se torna massador por termos que andar tanto. Mas nada que um mergulhinho na piscina do hotel nao pudesse resolver! Pequena e intimista , proporcionou nao so um belo refresco de fim de tarde como tambem deu a melhor vista que pudémos ter de Sevilha! Um cidade nem grande nem pequena, na medida certa. Ridículamente plana e onde o melhor dos meios de transporte é mesmo a bicicleta. Havia de ser em Lisboa..........ahaha

Ladeada pelo Guadalquivir, esta muito bem equipada com pontes e acessos, que para viaturas quer pedonais.
No segundo dia , apos um desayuno digno de um soldado, fomos explorar sevilha: a Iglesia de N. Sra de la Macarena, o Alcazar Real (um local que deixa qualquer um sem palavras de tao perfeito e místico que é), a Basília, e um sem fim de ruas e ruelas pitorescas e muito bem tratadas. Tudo ali paraece feito para sem mantido tradicional, quase que intocado pelas mega construçoes que povoam a nossa Lisboa. Foi um dia terrivel pois tudo ficava muito , mas mesmo muito, mais longe do que o GPS indicava! Estava na hora de voltar.......
Foi uma cidade da qual me orgulho de ter visitado e onde gostei muito de viver durante 2 dias e meio
A Repetir
Fraum Carmo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

so what?!

Nao estou definitivamente na minha melhor fase. Se ha ainda poucos meses andava quase que apatica onde a mitica expressao "wathever" era resposta para tudo, agora tudo me chatei , enerva e merece uma resposta bem estupida e seca!

Durante anos enchi o meu saco com muita coisa...com coisas que me chamaram e em nada correspondem ao que fui e sou, coisas de que me acusaram sem que eu as tenha feitos, cobranças de atitudes que nao cabe a mim tomar, e mais um sem fim de argumentos que nao me apetece mais enumerar. Não posso dizer que tudo tenha sido negativo para a construçao da minha personalidade e da pessoa que sou, pois ate me orgulho bastante de todas as marradas que dei, mas podia ter passado bem sem uma boa metade delas.

Passava bem sem ter tido 4 anos de primaria sem amigos, passava bem sem um básico com amigos de caca, passava bem por um secundario onde o prato do dia fossem as festas com amigos, viagens (por mais curtas e insignificantes que fossem) , passava bem sem por vezes me sentir a pessoa mais velha da minha faculdade. Passava bem por mais um ano de faculdade sem que isso afectasse as minhas finanças e os planos futuros. Passava bem sendo a dona do meu nariz, sem por vezes me sentir imersa num amontoado confuso de obrigações e horas certas para certas tarefas. Passava bem.....se nao fosse esta a minha vida.


"Gostava de ter a vida da X ou da Y mas a tua, sou sincero...nao gostava de ter a tua vida"

Se por um lado ouvir isto me despertou, por outro, foi ouvir alguem dizer em voz alta o que eu sempre pensei. Isto quer dizer que nao era mera invençao da minha cabeça, que nao era eu a fazer uma tempestade num copo de água. Mas nao! Realmente parece que isto nao tem sido muito fixe!

Todos nos temos os nossos limites, pontos fracos e momentos de ruptura e eu talvez esteja a atingir os meus....talvez eu me esteja a cagar para a "desgraça" alheia , talvez eu me esteja a cagar para alguem que se queixe que teve um verão aborrecido, talvez eu me esteja a cagar se alguem acha que este verao nao foi fixe porque nao "comeu" ninguem!

é que muito sinceramente: eu estou MESMO a cagar!

Não me vejo a ser um bom consolo de coisas que a meus olhos parecem "futeis" pois se nunca fui muito boa a passar a mao pelas cabeças alheias.....tambem nao me habituei a que as maos alheias a passassem na minha cabeça.

Estou mais dura, mais seca, sem grande vontade de me sentir cor de rosa? Estou

So What!?


Frau Carmo

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mais vale nunca

Desde há uns anos para cá que sempre que oiço uma musica dos G.N.R. que sinto uma dorzinha no peito , um aperto pouco saudável que me "aflige"de cada vez que oiço. Chama-se "mais vale nunca" e a letra não tem nada de espectacular nem o videoclip esta carregado de efeitos especiais e miúdas giras. Limita-se a falar de algo que acontece a todos nós, algo por que todos passamos mas ao qual ninguém da importância: crescer.

Eu tenho um medo terrível de Crescer. Não falo do crescer físico em que ganhamos mais uns centímetros, mudamos de corpo e de feições, deixamos de usar vestidinhos com flores ou calçoes ás riscas pois estes não são feitos no nosso tamanho. Falo do crescer por dentro, do crescer como ser/individuo numa sociedade.

Agora é a doer
Mais vale nunca
Nunca apetecer
Mais vale nada
Nunca escolher
Mais vale nunca mais crescer

Este verso é, sem duvida alguma, o que mais mexe comigo.é apartir de uma certa idade, diria , começando com os primeiros rebentos de adolescencia ,que se dá dentro de cada uma, começamos quase que automaticamente a recusar-nos ou a impormos-nos certos e determinados comportamentos, ou a ausência deles, pois "já não é bem visto". Já não podemos fazer Esta ou Aquela coisas pois já não temos idade para a fazer, porque os nossos amigos já não a fazem, porque o pai ou a mão dizem que já somos demasiado crescidos.

Lembro-me da pressa que tinha para Crescer. Para ter as chaves de casa, o que me permitia vir sozinha da escola sem estar dependente de alguém para me ir buscar, lembro de sonhar com o dia em que teria a carta e já nada ficava longe pois bastava conduzir ate lá, lembro de querer sair a noite, usar saltos altos, ter dinheiro e fazer com o meu tempo, o que bem me entendia.

Agora que fiz, e continuo a fazer tudo isto, tenho umas saudades terríveis do que fazia na altura em que sonhava com tudo isto.

Adoro andar de baloiço, sempre adorei. Não entendo ate hoje o que pode ter de Tao especial um banco suportado por duas cordas/correntes e suspenso numa estrutura metálica ou árvore. Mas era o ponto alto da ida ao parque: o andar de baloiço. Fechava os olhos e deixava-me balançar...mais depressa ou mais devagar, conforme a disposição desse dia, mas era a sensação de quase voar, a liberdade de abrir os braços e sentir o vento a passar por mim. Hoje, se chegar a um parque e roubar o lugar num baloiço a uma criança passo por doida e ainda estou sujeita a um raspanete de um papa ou mama em defesa da sua cria. Baloiços agora..... se for no meu jardim , ou então ás escondidas.
Bonecas. Se vou a uma loja de brinquedos perco-me na secção das meninas, toda muito cor de rosa, muito lollipop, quase cheirando a doces. Repleta de bonecas lindas, perfeitas e sempre sorridentes. Lembro-me das horas que passava a brincar com as minhas, dava-lhes identidades como se de pessoas a serio se tratassem. Hoje já não posso brincar com bonecas porque já não sou criança.
Colo. Quem não gosta de colo, beijinhos, mimos? Quem não se lembra do cheirinho da mãe, aquele perfume tão dela, tão bom, um cheiro que vamos lembrar ate ser-mos velhinhos? Do beijinho no joelho por causa da valente esfoladela que demos ao correr desenfreados num chão cheio de gravilha? Quem nunca fugiu para a cama da mãe porque teve um sonho mau ou porque esta com medo do escuro? Mesmo que ainda hoje o façamos, a receptividade já não é mesma. "O que tens? que te deu?" parece que já passou o prazo de validade para o cupão de mimos e afins que recebemos á nascença, cupão esse que iria expirar no dia em que nos deixássemos de sentir carentes. Mas...e se esse dia não chega!?

Parece que as crianças de hoje tem pressa de crescer, pressa de se tornarem responsaveis, cansados, ocupados,rabugentos e mal humorados. Tem pressa de pagar contas, levantar cedo e deitar tarde, perder anos de vida em filas de transito, aturar patrões ruins e mal pagantes. Tem pressa de sexo, de drogas e de discotecas, tem pressa de bebedeiras, tareias e consequencias. A criançada de hoje não aproveita o que de melhor tem na vida: a infância. Por muito ruim que ela possa ser, ou ter sido, é aquela idade onde quase tudo nos é permitido: ter a cara e a camisola cheia de gelado, sujar as calças com lama porque se andou a correr à chuva, usar totós e laçarotes, dormir com o ursinho , pedir colo à mãe mesmo se esta tiver sem ponta de paciência, juntar as moedas para comprar pastilhas e gomas, ser intimado a tomar banho pois a brincadeira deixou-nos castanhos e a cheirar a sapatos velhos, dormir com a luz acesa, e mais um sem fim de coisas boas que temos com "Aquela" idade.

Os resultados de toda esta pressa estão a vista: adultos acriançados, que acordam um dia com 30 anos completamente fartos da vida que levam e fartos de serem a pessoa que são. Já não se reconhecem , já não sabem porque deixaram de lado as gargalhadas bem sonoras e gostosas, em prol de um bem comedido e comportado sorriso. A sociedade esta frustrada porque já não sabe ser criança, não sabe o bom que é apanhar uma molha no verão ou tomar banho numa fonte publica, porque sim, porque apetece!

Tenho um medo terrível de Crescer. De ficar velha por dentro, ranzinza e queixosa da vida e do mundo. Tenho medo que a rotina e o "porque tem que ser" me domem por completo e apaguem em mim a miúda com totós que passava horas a andar de baloiço.


Há um lixo novo pra limpar ao nascer
Um grito surdo que tentam calar

Vais ouvir e ver
Mais vale nunca
Nunca mais saber
Mais vale nada
Nunca mais querer
Mais vale nunca mais crescer

É tê e vê cérebro em fuga a dominar
Gene preguiçoso e letal
Olha pró que eu faço
Mais vale nunca
Nunca aprender
Mais vale nada
Nunca mais querer
Mais vale nunca mais crescer

Ficas a aprender
Mais vale nunca
Nunca mais saber
Mais vale nada
Nunca mais beber
Mais vale nunca mais crescer

Agora é a doer
Mais vale nunca
Nunca apetecer
Mais vale nada
Nunca escolher
Mais vale nunca mais crescer
Vais ouvir e ver...


Frau Carmo

domingo, 20 de junho de 2010

Desejo

Do alto dos meus nada sábios 22 anos, me vi em situações boas e más, tive reacções boas e más mas, acima de tudo, acho que me soube manter muito bem e com a maior verticalidade possível face a elas. Tento levar a minha vida de modo a arrepender-me o menos possível das minhas escolhas pois se coisa para a qual não fui talhada foi para errar. Sei que talvez exija demais da minha humilde condição humana , mas nunca soube lidar com naturalidade com os meus erros e falhas. Talvez por não gostar de pedir desculpas, apesar de ser a primeira a assumir a sua necessidade de uso quando meto o pé na poça. O que quero dizer com isto é: eu quero orgulhar-me.


Quero um dia ter uns ambiciosos 80 anos e olhar para trás com orgulho. Quero ver que fui uma boa mulher, o mais completa possível dentro daquilo que é hoje exigido de uma Mulher, quero orgulhar-me da profissional que fui , não dos meus bolsos cheios mas da minha casa cheia , da minha criação e descendência, de ter criado não pessoas mas humanos, seres feitos com metade daquilo que sou e cheios de tudo aquilo que poderia ter sido. Quero saber que chorei tanto tanto mas que essas lágrimas não foram em vão, que as minhas gargalhadas foram muitas e despertaram um eco que perdura ate "hoje" , quero deitar a cabeça na almofada sem um peso que me impeça de fechar os olhos.

Sei que ainda me espera tanto tanto.....perdas, ganhos, alegria, sofrimentos, chegadas e saudades.....

uma frase que ouvi á uns bons anos e que me marcou desde esse primeiro momento, pois sempre tenho feito questão de a usar como lema pessoal pois poucas palavras de terceiros me conseguiriam definir Tao bem:


"Morta por dentro, mas de pé! De pé como as árvores"

Palmira Bastos
Frau Carmo