domingo, 20 de junho de 2010

Desejo

Do alto dos meus nada sábios 22 anos, me vi em situações boas e más, tive reacções boas e más mas, acima de tudo, acho que me soube manter muito bem e com a maior verticalidade possível face a elas. Tento levar a minha vida de modo a arrepender-me o menos possível das minhas escolhas pois se coisa para a qual não fui talhada foi para errar. Sei que talvez exija demais da minha humilde condição humana , mas nunca soube lidar com naturalidade com os meus erros e falhas. Talvez por não gostar de pedir desculpas, apesar de ser a primeira a assumir a sua necessidade de uso quando meto o pé na poça. O que quero dizer com isto é: eu quero orgulhar-me.


Quero um dia ter uns ambiciosos 80 anos e olhar para trás com orgulho. Quero ver que fui uma boa mulher, o mais completa possível dentro daquilo que é hoje exigido de uma Mulher, quero orgulhar-me da profissional que fui , não dos meus bolsos cheios mas da minha casa cheia , da minha criação e descendência, de ter criado não pessoas mas humanos, seres feitos com metade daquilo que sou e cheios de tudo aquilo que poderia ter sido. Quero saber que chorei tanto tanto mas que essas lágrimas não foram em vão, que as minhas gargalhadas foram muitas e despertaram um eco que perdura ate "hoje" , quero deitar a cabeça na almofada sem um peso que me impeça de fechar os olhos.

Sei que ainda me espera tanto tanto.....perdas, ganhos, alegria, sofrimentos, chegadas e saudades.....

uma frase que ouvi á uns bons anos e que me marcou desde esse primeiro momento, pois sempre tenho feito questão de a usar como lema pessoal pois poucas palavras de terceiros me conseguiriam definir Tao bem:


"Morta por dentro, mas de pé! De pé como as árvores"

Palmira Bastos
Frau Carmo

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Diferente

Estou diferente. Em varias partes de mim, daquilo que sou, daquilo que pareço.
O que antes me dava prazer agora entedia-me, conversas que antes me prendiam durante horas passaram a olhares incómodos e desconfortaves. Reacções que antes tinha como sendo "tão minhas" agora nem sei como as tive, ou como consegui deixar de as ter. Parece que uma estranheza de mim mesma se abate sobre mim.....falta-me algo, falto-me eu.

Vi-me ha uns dias deparada com uma situaçao onde a minha reacçao me espantou. Pos em causa o meu chao e a minha felicidade do lado de alguem. Sem querer, dei comigo a ler algo que nao queria, algo que fora do contexto, me faria mal , me iria entristecer, e foi exactamente o que aconteceu. Foi uma noite muito comprida, onde as dificuldades para adormecer foram mais que muitas. Começei a entrar numa espiral de pensamentos, tão tipicos nestas situaçoes que fazem nascer em nos inseguranças e receios!

Deitei a cabeça na almofada e começei a colocar hipoteses, a tentar prever a minha reacção face ao desfecho desta situaçao, o que diria, o que faria. So sabia que naquele momento, tudo o que percorresse o caminho entre o meu pensamento e as minhas palavras seria nocivo , e nos nao precisavamos disso.

"vai dormir. amanha falamos"
Repeti-o vezes sem conta, tentando convencer-me de que sim, seria sem duvida a melhor atitude a ter, sabendo eu tão bem que estava no limiar da discussão. Foi neste ponto que a minha reacção me surpreendeu. A Carmo "normal", gritaria, puxaria o assunto uma e outra vez, lembrarse-ia daquela vez em que....e da outra....e mais aquela! As suas palavras seriam cruas e , falando em bom português, estava.se a cagar para isso! A Carmo dessa noite disse "vai dormir. amanha falamos". Preferiu guardar as palavras e os pensamentos cruéis para si, deixou ser ela mesma a lidar com eles , a ser a oradora e a moderadora de si mesma. Desligou, tentou não sonhar com isso e a noite passou ligeira......na manha seguinte tudo parecia bem melhor. precisava falar com ele, dizer o que sentia e o porque de assim me sentir. Falei num tom de voz calmo e baixo, foquei-me somente naquele assunto e deixei que a conversa ganhasse o seu rumo sem qualquer tendência controladora ou mais fera da minha parte.
Pensei muito nessa minha reacção, o que me fez ficar Tao serena face a uma situação em que, conhecendo-me como conheço, começaria a lançar ferroadas. É Cansaço. Estou oficialmente cansada. Cansada das tensões mais recentes na faculdade, cansada da estupidez alheia que me enerva ate mais não, cansada de explicações, porquês e duvidas. Estou num ponto que me mexo por um bom motivo, levanto a voz e perco as estribeiras no ultimo dos casos!
Aquilo que apelidei de controle e maturidade, não passa de cansaço. Por um lado, gosto deste novo cansaço e ele parece gostar de mim, por outro, tenho um serio de receio do que acontecerá quando eu recarregar as baterias....
Frau Carmo

terça-feira, 8 de junho de 2010

Chão

"As vezes não sei como é que ainda estamos juntos"


Abalou-me um bocado esta frase, mais do que o costume para mim. Principalmente porque foi dita num tom de voz algo sofrido, olhando pela janela e com o filho ao colo. Fez-me pensar. Pensar muito, sobre todos os factores que mantêm ou afastam um casal.

Estão juntos vai para 13 anos, 10 deles casados. Eram pouco mais que adolescentes quando se conheceram, pouco mais que adultos quando casaram. Decidiram abdicar de algo que se vive aos 22 anos para casarem e formarem uma família. Por um emprego fixo e cheio de responsabilidades, pelas contas que chovem certeira mente no fim do mês (como a verdadeira chuva não o faz) , pelo rebento que apareceu um ano mais tarde. "Abdicaram" dos 22 anos cheios de farras, noitadas, idas de ferias com os amigos, da época da faculdade que é, sem qualquer duvida, o compilar dos melhores anos da nossa juventude. Fizeram-no de vontade própria e por imposição: "aqui ninguém vai morar junto. casas e depois moras" , " és um homem, ela parece boa miúda apesar de carente e possessiva. se achas que fazes bem....casa la ". Não foi decerto uma decisão fácil de tomar.....tal como não seria a de encarar um divorcio com um filho de 5 anos.

Duvido que tivessem a total noção de quem o outro era realmente quando se casaram. Muitas vezes, nem numa vida inteira do lado da outra pessoa conseguimos conhece-la por completo, quanto mais, dependendo de 2 anos de namoro para assumir um compromisso (para toda a vida). Os feitios tanto de um como do outro não são fáceis: ela super carente e insegura, possessiva pelo seu homem. Ele pouco tolerante ao constante estado de distracção em que ela vive mas, ainda assim, dependente da opinão dela para qualquer passo que dê. Ela, vivendo num constante queixume "aiiii a dor de cabeça com que eu estouuuuu!!" e ele, sempre lidando com o seu temperamento impulsivo e mandão. Mas fora isto, seriam um casal feliz, cheio de momentos e de vida pela frente, prontos para uma vida a 2, 3 ,4.......

Nasce o pequenito e aquele que seria a cereja em cima do bolo, revelou-se um facto de faltas de paciência constante da parte dele, e de queixas de falta de apoio da parte dela. Ali no meio fica o pequeno, um ser adorável , com o feitio de uma pessoa feita, decidido e senhor do seu nariz. E carente, e frágil......uma mini pessoa a quem uma má palavra solta uma enxurrada de lágrimas, que nunca são derramadas em publico. Sempre se recolhe ao seu canto, escuro e sem mais ninguém, pois todos podemos saber que ele chora, não podemos ver (Mini me ahah).

uns dias tive uma conversa sincera com ela e , para varias, fui um tanto o advogado do devil.....sempre oiço as duas partes e faço o meu juízo o mais imparcial possivel pois também eu não gosto de cobranças futuras. Vi cansaço, alguma mágoa, desânimo , muitas duvidas, alguma insegurança mas , acima de tudo, muita conformação. Eles estão oficialmente conformado á vida que teem. À casa, ao trabalho, ás viagens , ao pequeno. Por mais desconfortáveis e estranhos estejam um com o outro, outros "valores" que se alevantam, que fazem deixar em stand-by a hipótese da separação. E aqui surgiu-me a questão: ate que ponto é suposto aguentar-mos uma situação que não nos faz feliz? Quais os factores que nos fazem sentar e esperar dias melhores sem tomar Aquela decisão mais definitiva?

Pela criança? Ele sofreria é verdade, mas acho que quem sofreria mais ainda seriam os crescidos pois o contacto seria inevitável, as memorias continuariam la e seriam relembradas de cada vez que se vissem. Talvez eu seja demasiado cor-de-rosa em certos aspectos da minha vida, não seja Tao esclarecida e concreta como deveria, talvez pelo facto de eu não conhecer a "zona cinzenta", aquele lusco fusco emocional em que sabemos que não nos faz bem, que não é o que sonhámos ou ambicionámos mas, que ainda assim, nos agarra todos os dias um pouco mais, nem que seja pelo beijo mais apaixonado de bons dias que recebemos naquela manhã.

Sou drástica em muitos aspectos da minha existência, mas no que mexe com sentimentos, relações, ainda para mais uma vida em comum....estou decididamente coberta de cinzento da cabeça, aos pés.


"I used to be running arround in NYC trying to be with the man taht I Love. Now , I´m complaining for beeing sitting in the couch with him"

Carrie

Frau Carmo