Abalou-me um bocado esta frase, mais do que o costume para mim. Principalmente porque foi dita num tom de voz algo sofrido, olhando pela janela e com o filho ao colo. Fez-me pensar. Pensar muito, sobre todos os factores que mantêm ou afastam um casal.
Estão juntos vai para 13 anos, 10 deles casados. Eram pouco mais que adolescentes quando se conheceram, pouco mais que adultos quando casaram. Decidiram abdicar de algo que só se vive aos 22 anos para casarem e formarem uma família. Por um emprego fixo e cheio de responsabilidades, pelas contas que chovem certeira mente no fim do mês (como a verdadeira chuva já não o faz) , pelo rebento que apareceu um ano mais tarde. "Abdicaram" dos 22 anos cheios de farras, noitadas, idas de ferias com os amigos, da época da faculdade que é, sem qualquer duvida, o compilar dos melhores anos da nossa juventude. Fizeram-no de vontade própria e por imposição: "aqui ninguém vai morar junto. casas e depois moras" , "já és um homem, ela parece boa miúda apesar de carente e possessiva. se achas que fazes bem....casa la vá". Não foi decerto uma decisão fácil de tomar.....tal como não seria a de encarar um divorcio com um filho de 5 anos.
Duvido que tivessem a total noção de quem o outro era realmente quando se casaram. Muitas vezes, nem numa vida inteira do lado da outra pessoa conseguimos conhece-la por completo, quanto mais, dependendo de 2 anos de namoro para assumir um compromisso (para toda a vida). Os feitios tanto de um como do outro não são fáceis: ela super carente e insegura, possessiva pelo seu homem. Ele pouco tolerante ao constante estado de distracção em que ela vive mas, ainda assim, dependente da opinão dela para qualquer passo que dê. Ela, vivendo num constante queixume "aiiii a dor de cabeça com que eu estouuuuu!!" e ele, sempre lidando com o seu temperamento impulsivo e mandão. Mas fora isto, seriam um casal feliz, cheio de momentos e de vida pela frente, prontos para uma vida a 2, 3 ,4.......
Nasce o pequenito e aquele que seria a cereja em cima do bolo, revelou-se um facto de faltas de paciência constante da parte dele, e de queixas de falta de apoio da parte dela. Ali no meio fica o pequeno, um ser adorável , com o feitio de uma pessoa já feita, decidido e senhor do seu nariz. E carente, e frágil......uma mini pessoa a quem uma má palavra solta uma enxurrada de lágrimas, que nunca são derramadas em publico. Sempre se recolhe ao seu canto, escuro e sem mais ninguém, pois todos podemos saber que ele chora, só não podemos ver (Mini me ahah).
Há uns dias tive uma conversa sincera com ela e , para varias, fui um tanto o advogado do devil.....sempre oiço as duas partes e faço o meu juízo o mais imparcial possivel pois também eu não gosto de cobranças futuras. Vi cansaço, alguma mágoa, desânimo , muitas duvidas, alguma insegurança mas , acima de tudo, muita conformação. Eles estão oficialmente conformado á vida que teem. À casa, ao trabalho, ás viagens , ao pequeno. Por mais desconfortáveis e estranhos estejam um com o outro, há outros "valores" que se alevantam, que fazem deixar em stand-by a hipótese da separação. E aqui surgiu-me a questão: ate que ponto é suposto aguentar-mos uma situação que já não nos faz feliz? Quais os factores que nos fazem sentar e esperar dias melhores sem tomar Aquela decisão mais definitiva?
Pela criança? Ele sofreria é verdade, mas acho que quem sofreria mais ainda seriam os crescidos pois o contacto seria inevitável, as memorias continuariam la e seriam relembradas de cada vez que se vissem. Talvez eu seja demasiado cor-de-rosa em certos aspectos da minha vida, não seja Tao esclarecida e concreta como deveria, talvez pelo facto de eu não conhecer a "zona cinzenta", aquele lusco fusco emocional em que sabemos que não nos faz bem, que não é o que sonhámos ou ambicionámos mas, que ainda assim, nos agarra todos os dias um pouco mais, nem que seja pelo beijo mais apaixonado de bons dias que recebemos naquela manhã.
Sou drástica em muitos aspectos da minha existência, mas no que mexe com sentimentos, relações, ainda para mais uma vida em comum....estou decididamente coberta de cinzento da cabeça, aos pés.
"I used to be running arround in NYC trying to be with the man taht I Love. Now , I´m complaining for beeing sitting in the couch with him"
Carrie
Frau Carmo
Sem comentários:
Enviar um comentário