Sou uma controlahoolic. Preciso de controlo quase como preciso de oxigénio. Apesar de abominar rotinas, regras e repetiçoes, preciso de controlo, preciso da segurança que ele me dá. O meu Ego precisa de controlo, preciso do "chão" que o controlo me dá. Mas, abomino ser controlada.
Sempre me considerei uma contradição com pernas. Em tempos disseram-me que "és daqueles casos dificeis da medicina, psicologia, sociologia e biologia!" E cada vez mais estou de acordo ( se bem que, concordemos: Da-me um certo charme ser objecto de estudo de quatro areas!)
Não sei bem quais as pralavras que conseguem exprimir da maneira mais correcta aquilo que a sensação de controlo me proporciona: controlo horas, controlo refeições,"controlo" conversas, controlo o que posso e o que nao posso pensar (se bem que as vezes seja como andar de patins num chão com óleo), controlo ,acima de tudo, quem amo. Analiso ao mais ínfimo pormenor aquilo que me dizem, na mais inocente das conversas, sempre procurando uma mensagem escondida, algo que me querem dizer e que de outra maneira mais directa não pode ser dito.
Eu "apodero-me" das minhas pessoas, criando assim em mim o efeito nocivo que a possibilidade de uma perda acarreta. Quanto mais penso em perda mais ela parece tornar-se uma realidade, quanto mais tento ter o controle de algo, mais incontrolável ele se torna. Acabo ouvindo o que não esperava, o que evitei, acabo sentindo o que o controlo nao me deve fazer sentir: Medo.
Dizem quem o "Medo guarda a vinha", mas o que fazemos quando a vinha insiste em ser um pedaço de terreno bravio?! Como reagir face á falta de reacção?!
Cda vez mais chego á conclusão de que não me posso apropriar de nada, no máximo, tentarei faze-lo com a minha própria vida, adoptando uma postura talvez egoísta. Porquê egoísta? Porque controlando somente a minha vida, o meu foco de interesse passa a ser o meu (perfeitinho) umbigo, visto que tudo o resto escapa ao meu controle. E aqui surge a duvida: como me focar so na minha pessoa, se as demais fazem parte da pessoa que sou? Desligo-as de mim, de quem sou? Moldo-me á liberdade delas , ao "querer" que proclamam , deixando-me de lado , juntamente com o meu Ego de 10 metros?!
Admiro profundamente os seres humanos que levam a vida com uma atitude desligada, desapegada, tendo em conta que todo o resto do mundo necessita de alicerces, seja qual for a sua ordem : roupas caras, carros e casas, um emprego como chefe, um passaporte invejável, etc. O meu alicerce são as pessoas. Passo bem sem grandes luxos, sem muitas extravagancias, mas não passo sem pessoas.
Gosto-me, respeito-me e cada vez mais aceito aquilo em que me tornei, mas sei que também me moldei ao meu meio Humano, ás minhas relações, por mais longas ou curtas que sejam. A única coisa a que ainda não me acostumei a aceitar, está relacionada com erros. Errar é Humano, mas errar duas vezes é Estupidez. É o que proclamo , é o que para mim utilizo, e cada vez me sinto mais apta a nao repetir o mesmo erro, seja qual for a sua índole.
Ontem, numa das minhas "famosas" reflexões after-sleep, dei por mim a ponderar a aceitação de uma atitude mais desapegada, mais solta perante o mundo. De nada vale forçar/controlar o que não depende só de mim, pois há sempre 50% de chances da outra parte encarar a situação de uma maneira completamente divergente da minha, o que frequentemente acontece, e isto só levaria a mais disputas e contradições. Independentemente desta nova pespectiva, continuo a ter os meus ideais, as minhas regras, a minha bíblia pessoal, e esta, por mais desapegada que eu me torne, nunca mudará, pois nela encerro os meus valores.
Control Freak?! Sim, muito. Mas em actualização.
"Amo a Liberdade, Por isso deixo as coisas que Amo Livres. Se voltarem é porque sempre foram minhas. Se não, é porque nunca as possuí".
John Lennon
Frau Carmo
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